A insustentável leveza do ser

Um dia em que acabara de fazê-la adormecer, mas em que ela ainda estava na antecâmara do primeiro sono, donde podia ainda responder às suas perguntas, ele lhe disse:

-Bem! Agora vou-me embora.

-Pra onde? perguntou ela.

-Vou sair – disse ele com voz severa.

-Vou com você! disse ela levantando-se da cama.

-Não, não quero. Vou para sempre – disse ele, saindo porta afora.

Ela se levantou e seguiu-o até a porta de entrada, piscando os olhos. Estava só de camisola, curta e sem nada por baixo. Seu rosto estava imóvel, sem expressão, mas seus movimentos eram enérgicos. Da entrada, ele passou o corredor (o corredor do edifício, compartilhado por moradores), e fechou a porta na frente dela. Tereza abriu-a com um gesto brusco e o seguiu, convencida, no seu estado de sonolência, de que ele queria partir para sempre e que ela devia retê-lo. Tomas desceu um andar, parou no patamar e ficou esperando por ela. Ela foi ter com ele, segurou-o pela mão e trouxe-o para junto de sim, na cama.

Tomas pensava: deitar com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. O amor n~ao se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher).

…as metáforas são perigosas. Não se brinca com as metáforas. O amor pode nasce de uma simples metáfora.

 

Milan Kundera

5 Respostas

  1. ahhhhhhhhhhhh!!!!

    Q linduuuuuuuu!!!

    Queima esse livro logo dri!!!antes q eu faça algo do qual me arrependa!

    dhasudhaiushd

    mui mui belo!

  2. Encantador … é lindo demais … sem palavras …

  3. Eu gosto do Kundera, mais em especial desse livro, tem passagens lindas nele.

  4. Uau! Esse livro vale a pena. O único filme longo pelo qual eu me apaixonei =]

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