E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
E agora, José?
É… E agora? Cinco anos se passaram e junto com eles batalhas ferozes, algumas perdidas, outras ganhas, mas terminamos… Sim, terminamos a faculdade, seremos mais um estranho no ninho, mais um profissional, mais um com diploma na mão, mas temos um diferencial. Qual? Sonhos, idealizações, aprendizado. Deixamos a inocência e crescemos. Tornamo-nos não só pessoas, mas cidadãos, amigos, namorados, maridos, todos com conhecimento técnico-científico, pois por mais incrível que pareça aprendemos muito na Universidade, é inacreditável isso!!! Aprendemos sobre a vida, não só sobre a pinga, a cerveja, e os fiascos – fomos além – afinal, passamos anos estudando e evoluindo.
Com nossos pais aprendemos a falar e as primeiras letras, fomos à escola e aprofundamos esse conhecimento, crescemos com o primário, apesar das crises da adolescência sobrevivemos ao segundo grau e… vamos para o pior de tudo, o inevitável, o assustador e temido: VES-TI-BU-LAR, agora em duas fases. Nós somos da época de uma só fase em três dias, as coisas mudam, enfim, alguns mais iluminados ou sortudos, passam de primeira, outros tentam mais vezes, tudo para conquistar o direito de vender “mudinhas” no sinaleiro e pagar a cerveja da confraternização.
Em 2003, com uma, duas, três ou mais tentativas, nos encontramos todos vitoriosos, animados e de certa forma ingênuos, sem saber que isso era só mais uma etapa, ainda tínhamos muito que caminhar, não era só passar em Desenho Técnico, Cálculo ou Química, a vida nos reservava algo mais. Apresentaram-nos à Genética e Química Analítica, mas isso era compensado com os amigos que fizemos, tornaram-se irmãos de coração; então, alguns integrantes saíram para ir em busca de novos sonhos, mas outros entraram, e assim fomos, sobrevivemos a Bioquímica e a Melhoramento com o seu trabalho, nos fazendo acreditar que somos melhoristas, por virar a noite terminando-o para defendê-lo no dia seguinte. E quando tudo parecia melhorar, memso já sendo avisados da tragédia eminente, veio Economia e todos estremeceram com o mercado anti ético e a realidade brasileira. É… e tudo mais NÃO permanece constante…
Tudo passa e chegamos em 2007, nosso último ano, todos correm de um lado para o outro, montar horário, encaixar matérias que faltam ou que ficaram para trás, além da angústia e incerteza com o futuro: para piorar temos Patologia e suas lâminas, que nos remetem a pensar na velocidade em que passa o tempo ao ver as células em microscópio, pois nos lembramos dos “bolênquimas” da Morfologia. Ultimo ano e toda sexta à tarde nos reunimos para… Aprender sobre Manejo de Bacias Hidrográficas, turma cheia numa sala abafada.
Foram cinco anos e além de ganharmos noites mal ou sem dormir, sacrificar finais de semana, feriados e recessos, dignamente aproveitados para nos reunir, fazer trabalhos, estudar para as provas… Valeram a pena, pois não só estudávamos, mas conversávamos, trocávamos idéias, ríamos, gargalhadas sem fim, desestresávamos, fortalecíamos laços de amizade, companheiros de estudo, das festas, das risadas, das lágrimas, das bebedeiras, das viagens, dos congressos, dos estágios, da vida…
Na alegria e na tristeza levaremos nossos amigos conosco, para onde quer que faormos… pois a Floresta já faz parte de nós.
E o futuro? Quem dera ser uma certeza, poder estimar nossos futuros em programas estatísticos, encontrar respostas em livros!
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
E agora, José?
Com o último ano as aulas diminuíram, mas a angústia, o medo e a incerteza aumentaram exponencialmente… A frase de Drummond: “E agora, José?”, impregnada em nossas mentes, os primeiros anos na Floresta e as divagações de forma infantil sobre o que quer ser, sobre as áreas quem mais agradam, sem mesmo conhecê-las direito, mas no final já se percebe que nós mudamos e junto mudaram nossos ideais.
você marcha, José!
José, para onde?
Há os ansiosos, que esperam pela primeira oportunidade de encarar o negro e anti ético mercado de trabalho, buscando meios de fazer o Brasil evoluir economicamente e produtivamente; há também os corajosos, que vão continuar estudando, pesquisando novas técnicas e contribuindo para o país se desenvolver cientificamente.
José, para onde?
Ao contrário de José, não ficamos estagnados e sim seguimos nosso caminho, vamos em direção a Esperança, carregando amigos no coração, os quais nos acompanharão o resto de nossas vidas. E nos recordaremos com carinho desta jornada, onde marchávamos todos juntos, até o momento em que nos separamos para ir em busca de nossos próprios sonhos… E quando outros 5, 10 ou 15 anos passarem olharemos para este momento com saudade e alegria de todos os instantes que passamos juntos.
*Escrito por mim e o Figura.
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